“O encontro estava marcado para o fim da tarde, algures entre o Porto e Famalicão, numa bomba de gasolina. Por razões de segurança, o local da reunião só seria divulgado duas horas antes. Depois do assalto de que foi vítima, ocorrido no fim de Maio, e que rendeu mais de meio milhão de euros aos assaltantes, o grupo de 350 pessoas redobrou os cuidados: já não circula dinheiro vivo, já não há a máquina de contar dinheiro igual à dos bancos, foram contratados dois seguranças e as reuniões semanais acontecem sempre em sítios diferentes.

As coordenadas chegam por mensagem. Esta semana o local escolhido é uma quinta de casamentos, entre Barcelos e Braga, numa aldeia perdida no verde minhoto. Não há indicações na estrada – só lá chega quem sabe ao que vai. Por um caminho estreito, entre vinhas, o tráfego vai-se intensificando. Embora grande parte do grupo tenha desistido depois do roubo – chegaram a ser quase mil pessoas – na reunião em que o i participou estavam 350 resistentes. E rodaram mais de 200 mil euros. “Muitos tentam recuperar o dinheiro que perderam”, conta J., que esteve na noite do assalto em Vila Nova de Gaia. “Um serão para esquecer.” Não fosse esse incidente, já teria fechado a sua roda. E embolsado 80 mil euros.

Arroz de marisco 21h30. O parque de estacionamento está praticamente lotado. Há carros de luxo, mas também muitos utilitários. É uma imagem bem representativa deste grupo de pessoas: “Vem todo o tipo de gente: médicos, professores, polícias, empresários, mas também operários da construção civil, empregadas domésticas. Não há um padrão”, explica a nossa fonte, garantindo que muitos pedem empréstimos para poder participar. Quem olha para o grupo que se concentra à porta facilmente poderia pensar tratar-se de um casamento ou baptizado: há casais vestidos a rigor, mulheres acabadas de sair do cabeleireiro e crianças bem aprumadas a brincar nos recantos da quinta.

A entrada é exclusiva aos membros e convidados: na parte exterior do complexo, a pessoa que está no centro de cada bolha distribuiu aos seus membros um pequeno papel com o nome-código da roda. É esse papel, entregue mais tarde à porta do salão de jantar, que garante o acesso à reunião. A propina é elevada: 10 mil euros, que se poderão transformar em 80 mil, caso a roda seja fechada. Nem todos conseguem, mas “há quem já tenha fechado várias rodas, atingindo quase um milhão de euros”.

“Gostaria de dar as boas-vindas a todos os novos membros. E explicar que, por razões de segurança, estamos a trabalhar desta forma: substituímos o dinheiro por esta nota simbólica de 10 mil euros”, anuncia uma mulher ao microfone.

Às mesas começam a chegar as bebidas e entradas, servidas por uma empresa de catering. “É preciso força e iniciativa. Tragam os vossos amigos, são 80 mil euros. Todos sabemos que podemos trabalhar uma vida inteira sem conseguir juntar esta quantia”, continua a mulher, antes de anunciar os grandes vencedores da noite, que já receberam o dinheiro durante a semana. “Eles encontram-se em locais públicos, ou fazem pequenas reuniões do grupo em escritórios”, explica J.

Antes de ser servido o jantar – arroz de marisco, pago pelos vencedores da noite -, os centros das rodas anunciam as novas entradas. É uma operação de charme para seduzir os convidados potencialmente interessados. “Olá, boa noite, gostaria de anunciar oito novas entradas na minha roda. Está fechada. Mudei a minha vida. Obrigado e bom jantar.”

Retirado do i

“Antes do trivial, um registo para o excepcional: Roger Federer. Aquele que é talvez o maior tenista de todos os tempos (para mim, ou ele ou McEnroe), chegou ao sexto título conquistado em Wimbledon e que foi o mais dificil e o mais dramático de todos, num daqueles jogos para a eternidade que só um desporto tão fabuloso como o ténis pode proporcionar. Federer fez história, domingo passado, ao tornar-se o tenista com mais vitórias de Grand Slam de sempre chegando às quinze e assim batendo o record de Pete Sampras. Curioso é que ele, tal como Sampras, não ficará para a história por ter um serviço demolidor, como Pat Cash, ou uma direita impiedosa, como Lendl, ou a inesquecível esquerda de Mc Enroe ou o inabalável jogo do fundo do court do «Iceborg». Não, o que Federer tem é um ténis sem pontos fracos, que fez dele o número um do mundo, sem ser o número um em nenhuma das pancadas ou das variantes do jogo. Por isso, o seu jogo, além de brilhante, é perfeito de elegância e quem quiser aprender a jogar ténis a sério, pode começar por observar Federer, porque ele é um verdadeiro livro de instruções da perfeição neste desporto: não foge às esquerdas, não tem medo da rede, não tem um serviço vulnerável.
Depois de ter vencido Rolland Garros — o título de Grand Slam que sempre lhe escapara, Federer aproveitou bem agora a ausência de Nadal em Wimbledon para recuperar o título inglês que o espanhol lhe havia roubado no ano passado. É verdade que anteontem tanto podia ter ganho ele como Rodnick e a taça ficaria bem entregue a cada um deles. Mas foi melhor assim, porque o suíço bem merecia este record batido — ele, que, além do mais, é um cavalheiro dentro e fora do court. Nisso, o ténis ainda continua a marcar a diferença para os outros desportos, graças, sobretudo, ao «espírito de Wimbledon», que continua a resistir a modas e a estilos duvidosos: ali todos têm de equipar de branco, ninguém pode ser anti-desportivo ou grosseiro com os árbitros e adversários e não há lá tatuagens nem penteados exotéricos, porque é no campo e pelos seus dotes de atletas que os artistas se revelam — e apenas aí.

O ténis a este nível faz o futebol — mesmo o futebol ao mais alto nível — parecer um circo de vedetas de ocasião.

2 Mas vamos lá ao futebol, essa fatalidade. Por cá, está-se ainda na fase de compras e vendas — aquela que mais interessa aos dirigentes e mais agrada a alguns adeptos. E, como sempre, o campeão desta fase é o Benfica. De há dois anos para cá, ninguém compra, em quantidade e em despesa, como o Benfica. E como, simultâneamente, não vende (porque não quer, dizem eles; porque ninguém os quer, digo eu), a SAD benfiquista vai ficando cada vez mais vermelha e, ou as novas estrelas anunciadas conseguem este ano provar o que os seus antecessores recentes não provaram e começam a amortizar o investimento feito, ou as coisas não tardarão a passar de vermelhas a negras. A aposta em Saviola faz lembrar a do ano anterior em Aimar: jogadores que já tiveramn nome e que por isso são pagos caro e com elevadíssimos ordenados, mas que há vários anos não passam do estatuto de suplentes de luxo em Espanha. Ninguém sabe se conseguem regressar aos bons velhos tempos ou se apenas querem gerir tranquilamente o final das suas carreiras em Lisboa. Já Ramires está mais ao nível das expectativas criadas com Di María: dois jovens com estatuto de Selecção, em quem se depositam enormes esperanças de crescimento com a transferência para a Europa. Di María está longe ainda de ter cumprido as esperanças criadas, mas Ramires, com lugar quase cativo na Selecção brasileira, parece mais sólido. Ambição já se viu que não lhe falta: falta-lhe só contenção para não aparecer logo a dizer que espera vir para o Benfica em trânsito para um «grande» da Europa. Noutros tempos, de grandeza real e não apregoada, o jovem Ramires, se calhar, já tinha perdido o livre trânsito para o Estádio da Luz, à conta desse desabafo íntimo.

3 No FC Porto, é mais do mesmo: saem dois ou três dos melhores, entram nove ou dez cujo valor se ignora e que tanto podem ser um sucesso como um fiasco, destinado a alimentar a interminável legião de supra-numerários que a SAD azul-e-branca sustenta por esse mundo fora. Saíu Lucho, por 17 milhões — depois de se ter jurado que não sairia por menos de trinta. Tal como Quaresma, no ano passado: só saía por 40 milhões menos um euro, e acabou por sair pelos mesmos 17 e com a «oferta» envenenada do Pélé, que se transformou, como era de prever, em mais um supra-numerário para sustentar.

Lucho não precisava de sair: tinha contrato por mais três anos, estava bem pago, gostava do clube e era o capitão. É verdade que foi ganhar bem mais e toda a gente gosta de ganhar mais. Mais ai dos clubes se continuam a deixar sair jogadores que lhes interessam só porque eles recebem uma proposta melhor e ficam «contrariados», coitadinhos. Para que servirão então os contratos — só para proteger os jogadores que ninguém cobiça e não se querem ir embora, por nada deste mundo, como o Adriano?

Não, não foi por isso que Lucho se foi embora. Foi-se embora porque a SAD o queria vender. Porque, como já exliquei bastas vezes, a SAD quer vender dois ou três dos melhores todos os anos porque a gestão do clube é sempre deficitária e só se equilibra vendendo. E é deficitária porque é preciso sustentar um exército de alguns 70 jogadores, quando o normal seria metade disso. E assim se fecha este círculo vicioso: para pagar aos jogadores que não jogam é preciso vender os que mais jogam.

A questão que se coloca é esta: porque razão, quando vende grandes jogadores, a SAD não se limita a encaixar o dinheiro e a amortizar a dívida e, pelo contrário, vai logo comprar dois ou três por cada um que vende, assim aumentando todos os anos o rol de pagamentos e o crónico défice? Pois, essa é a grande questão, que qualquer auditor de contas ou conselho fiscal tinha obrigação de controlar: basta ir ver a quem são pagas comissões nas compras e que interesse tem o clube em ter jogadores emprestados por todos os lados. Por exemplo: se, depois de vender o Pepe, o Quaresma e o Bosingwa no ano passado, a SAD não tivesse comprado nenhum jogador e, pelo contrário, tivesse ido aproveitar alguns com quem tem contrato e a quem paga e não aproveita (o Ibson é o caso mais notável e incompreensível), este ano não seria preciso vender jogador algum…

Falhada a venda fantástica de Cissokho, logo temi pela sorte de Lucho, Lisandro ou Hulk. Porque o Bruno Alves, esse, está só à espera que se materialize alguma das muitas cobiças já reveladas e, à primeira oferta firme, marcha logo. Mas só a venda do Bruno Alves não chega, depois de falhado o Cissokho. E como o Lucho acabou vendido quase ao mesmo preço que o Cissokho (!), também essa venda é curta para o muito que há a amortizar e o muito que é preciso para gastar com aquela vaga habitual de sul-americanos, de preferência argentinos: os Farías, Guárins, Tomáz Costa, Mariano, Bénitez, etc. Eis, pois, a minha aposta: foi o Lucho e seguem-se o Bruno Alves e o Lisandro. E, quanto mais tarde forem, pior será, porque o desespero vai fazer baixar o preço de venda, como sucedeu com o Quaresma, no ano passado.

Enfim, o triste cenário habitual. Eu até já tenho medo de comprar os jornais da manhã, nesta altura da época! Não digo que o FC Porto, como Benfica e Sporting, não precise de vender, de vez em quando, ou não deva vender, quando o negócio é demasiado irresistível. Mas não era preciso vender todos os anos dois ou três dos melhores. Bastava que a gestão fosse mais transparente e que conseguisse também, de quando em vez, vender um dos outros, daqueles que só servem para receber o ordenado ao fim do mês.

Miguel Sousa Tavares n’ A Bola.

Registaram-se violentos confrontos na província de Xinjiang, noroeste da China que culminaram em 140 mortos e 800 feridos. Nesta zona cerca de um terço da população é de etnia uigur, de religião muçulmana.

Impressionante o circo mediático nas televisões portuguesas em redor da apresentação de Ronaldo no Real Madrid com directos e mais directos. Entrentanto para hoje existem canais que vão fazer emissões especiais dedicadas à  apresentação do agora CR9. Existem coisas que nunca mudam…

Vitória majestosa de Federer sobre Roddick que fez um jogo extraordinário. A conquista do segundo set no tie-break após recuperar quatro set-points foi decisiva e permitiu assim ao suiço quebrar o recorde de Sampras,conquistando o seu 15º Grande Slam.

“O estado da nação discute-se todos os anos, por esta altura, na Assembleia da República. O calendário da discussão faz mais sentido agora — que é quando, de facto, sentimos que o ano chegou ao fim — do que, por exemplo, no início do ano civil, como acontece nos Estados Unidos. O estado da nação é também um bom título para um debate parlamentar, mas que raramente é fiel à sua etimologia: a nação nunca é verdadeiramente discutida e o seu estado é confundido sempre com o estado da governação. É pena, porque nação e Estado não são a mesma coisa, governo e Estado também não, ou não deveriam ser, e governo e nação são duas noções não fundíveis — por mais que o Estado Novo, por exemplo, o tenha tentado e tenha feito disso uma filosofia política pretensamente legitimadora da ditadura. Sendo uma pena essa confusão, não deixa, porém, de ser reveladora. Tenho para mim, desde há muito, que o problema português profundo é exactamente confundir tudo isso — nação, Estado e governo. É um problema que vem de muito longe, talvez desde D. João II, o verdadeiro criador do Estado português — feito que alcançou com muitos crimes, muita perfídia e muito sangue, conseguindo assim liquidar a nação feudal, esquartejada por vários baronatos (a regionalização da época). Se foi isso que permitiu a criação do Estado, também foi isso que iria permitir e fomentar durante séculos a confusão perniciosa entre Estado e poder político. Colombo fez seis viagens à América, todas financiadas por interesses privados que arriscaram os seus capitais na descoberta do Eldorado e de um imenso território, que ele julgava inicialmente ser a Índia mas que rapidamente se percebeu ser coisa diferente, mais vasta e mais apetecível. Na sua primeira viagem partiu de Sevilha, sem os Reis Católicos a darem a largada simbólica, mas sim com os empresários andaluzes que custeavam a sua expedição a verem-no partir das margens do Guadalquivir. Claro que a Coroa tinha privilégios, políticos e económicos, entre eles o de definir o estatuto do próprio Colombo — que acabaria, a partir da segunda viagem, por fixar-se em qualquer coisa jamais explicitada, mas com um nome adequado a esse excepcional visionário: Almirante do Mar Oceano.

Nós fizemos diferente. D. Manuel chamou a si o monopólio integral da exploração marítima — e talvez por isso, e não somente pelas razões historicamente arroladas, não tenha aceite as propostas de Colombo, que eram demasiadamente favoráveis ao genovês para poderem ser aceites por um soberano que ambicionava controlar toda a empreitada das descobertas. Aqui, os navegadores partiam de Belém, sob o olhar da Coroa e de todo o Estado, que nela se fundia, iam com ordens expressas do Rei e do seu conselho de sábios, e todo o ouro, prata e especiarias que traziam de volta era monopólio da Coroa. Duarte Pacheco Pereira (o verdadeiro descobridor do Brasil) escreveu no seu “Esmeraldo de Situ Orbis” que, já em 1498, tinha descoberto o Brasil a mando de D. Manuel: nem por acaso, nem por iniciativa própria ou financiado por interesses empresariais — a mando de El Rey. E quando, por volta de 1750, D. Luís de Albuquerque inicia em plena mata amazónica o projecto demencial (e levado até ao fim) de construir o Forte do Príncipe da Beira — um de sete fortes de fronteira aos quais o Brasil deve hoje uns milhões de quilómetros quadrados de terra a mais —, foi ele quem mandou escrever no frontispício da porta de entrada do forte uma frase eloquente, destinada a derrotar o desejo de desistência dos sacrificados construtores do forte: “É vontade de El Rey: faça-se!”. Em troca de tanto mando, a Coroa distribuía benesses a quem a tinha servido, por mares e selvas nunca antes explorados: direitos especiais de participação nos lucros, concessões de terras, títulos de nobreza, cargos e mordomias, extensíveis a familiares. Servir o poder tornou-se assim o caminho único para alcançar um estatuto de riqueza e acreditação social que se iria tornar uma fatalidade nacional.

Ninguém, talvez, soube explorar tão bem esta deliberada e funesta confusão entre Estado e poder político, por uma lado, e nação, por outro, quanto Salazar. Aquele que a votação induzida de alguns portugueses estabeleceu há tempos e para efeitos televisivos como o maior português de sempre, foi, na realidade, o português que tornou Portugal mais pequeno, os portugueses mais subservientes e o Estado mais omnipotente. Qualquer carreira pública — de diplomata a professor, de militar a magistrado — só era possível com um juramento de fidelidade ao poder político e aos seus ideais; os grandes grupos económicos, de que hoje tanto se fala, nasceram quase todos no salazarismo, ao abrigo da Lei do Condicionamento Industrial, que estabelecia um monopólio de facto por cada sector económico — em troca, claro, da fidelidade política ao ditador e ao seu regime. Salazar matou qualquer espírito de liberdade que ainda restasse nos portugueses: corrompeu os intelectuais, vergou a igreja, matou a iniciativa privada capaz de triunfar sem o favor político; transformou as Forças Armadas numa guarda pretoriana do regime e, acima de tudo, instalou um chip na cabeça de cada português destinado a mentalizá-lo de que não havia vida fora da protecção do Estado. O que o 25 de Abril, ao fim e ao cabo, veio mudar foi muito pouco: apenas a liberdade de cada um exigir mais do Estado em troca de menos da sua parte.

Mas, quando olhamos para o que são hoje os nossos grupos económicos, para os passageiros que vão nos aviões do PM em visitas de Estado, é fácil perceber que a liberdade, para eles, não se traduziu na reivindicação de poderem prosperar fora da protecção pública e do favor político, mas exactamente o contrário. É sintomático que alguns “empresários e economistas” se tenham sentido impelidos a produzir há dias um “manifesto” a apelar à continuação das “grandes obras públicas” que José Sócrates prometeu fazer, com o dinheiro do Estado, isto é, dos contribuintes. Sintomático que, entre esses “empresários” de referência lá venham os presidentes ou ex-presidentes da Estradas de Portugal, REN, PT ou CTT: ou seja, a fina flor dos herdeiros dos capitães-donatários de outrora, a quem a Coroa concedia privilégios e cargos por bons serviços prestados ao poder. Eles querem, pois, que o Estado não deixe de gastar: pois claro que querem, é disso que depende a sua própria existência…

Enquanto escrevo, não sei ainda o que José Sócrates terá dito no debate sobre o estado da nação e o que lhe terá respondido a oposição. Mas não é difícil adivinhar que o primeiro-ministro dirá que a crise nos atingiu em cheio de há um ano para cá, tal como ao mundo inteiro; que o Governo, aproveitando a situação de um défice controlado à partida, conseguiu evitar a ruptura do sistema bancário e do próprio Estado e que, para o ano, infelizmente já depois das eleições, começaremos a ver a luz ao fundo do túnel. Mas o que ele não dirá, e ninguém irá estranhar, é que se falhou, uma vez mais, com crise ou sem crise, a reforma do Estado e que, por via disso, nada de essencial mudou num ano ou mudará no próximo: o contrato de ruína nacional que se mantém desde há tanto tempo continuará intocável porque, uma vez mais, não houve coragem política — nem do Governo nem da oposição — para começar a mudar alguma coisa de essencial. E quem quiser ganhar as próximas eleições sabe que nem uma palavra poderá ser dita sobre o assunto. Todos os candidatos de todos os partidos correrão o país a prometer mais a todas as corporações: professores, agricultores, magistrados, militares e polícias, intelectuais e criadores culturais, empresários e toda a gente que não concebe outra forma de sobrevivência que não a de viverem à sombra do Estado, tantas vezes entrincheirados em privilégios que os tempos de hoje tornam insustentáveis.

O estado da governação é mau, bom ou normal, conforme a apreciação política de cada um. O da nação é o mesmo de sempre: bloqueado e deprimente”

Miguel Sousa Tavares in Expresso

Podem ler aqui mais uma história de uma burla. Fico impressionado como tanta gente ainda cai nestas histórias da carochinha. Pior que isto, só mesmo aqueles e-mails que recebemos vindos da Nigéria, acom dramas de fazer chorar as pedras da calçada.

Ps: Hoje irei de férias até Portugal. No entanto continuarei a postar, embora com menos regularidade

Chegou hoje à minha caixa de correio o cheque com o subsídio governamental de 3600 patacas.

Pessoal, continuem a jogar que nem doidos para recebermos prendas destas uma vez por ano!

Uma pérola dos Scissor Sisters

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