Outubro 2008



O imortal Jeff Buckley com “Mojo Pin”


Isto foi a 19 de Agosto antes do ouro de Nelson Évora

“Em declarações à Antena 1 em Pequim, Vicente Moura esclareceu que não se vai demitir, mas antes não recandidatar-se ao organismo onde chegou há quase 30 anos e onde cumpre agora o quarto mandato como presidente.

«Não me vou demitir, o que vou é não me recandidatar. Não faz sentido demitir-me numa situação destas: primeiro porque a missão ainda não acabou e depois porque é preciso apresentar os relatórios, quer da missão, quer do projecto, que do próprio Comité Olímpico», disse.

O dirigente reconheceu que se «auto-pune», abrindo as portas para que se possa repensar o sistema desportivo português e que é sua ideia abrir um processo eleitoral e entregar a responsabilidade das soluções às federações (que votam na assembleia eleitoral do COP).”

Entretanto a 29 de Outubro

“O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Vicente Moura, assumiu hoje a recandidatura ao cargo, à margem de uma tertúlia sobre a missão olímpica a Pequim2008, realizada na reitoria da Universidade de Lisboa.”



Grande jogatana em Londres, com Arsenal e Tottenham a empatarem a 4 bolas. Jogado a um ritmo impressionante, o Arsenal teve o jogo nas mãos pois aos 90 minutos vencia por 4-2, mas a falta de maturidade  arsenalista veio ao de cima com a incapacidade de segurar a posse de bola possibilitando desta forma um empate aos Spurs que poucos esperavam.

Almunia mostrou mais uma vez que é um guarda redes mediano, com Van Persie a fazer um grande jogo. Quanto aos Spurs, deu para ver que tem belos jogadores, com Bentley e Modric em destaque

Nos outros jogos, Ronaldo bisou na vitória do Man Utd, num dos golos após brilhante trabalho de Berbatov enquanto Liverpool e Chelsea somaram com maior ou menor dificuldade 3 pontos,mantendo-se no topo da tabela.


Ontem vi no Telejornal uma intervenção de um pacóvio representante das PME a chantagear o Governo que iria dar instruções para não serem renovados os contratos a termo, caso fosse em frente o aumento do salário mínimo na fortuna de 24 euros.

Aquelas declarações provocaram-me vómitos. Digo com todas as letras que este tipo de empresas e empresários não interessam a Portugal. Senhores que obviamente não querem abdicar das suas mariscadas e dos seus Ferraris.

Longe de mim, ser um defensor incondicional do Governo de Sócrates, mas espero bem que neste caso não haja recuos e se enfrente estes idiotas.


Seis meses depois de ter chegado a Macau, posso afirmar que me sinto completamente inadaptado a Macau e a tudo o que lhe está associado.

Contrariamente ao que esperava, com o passar dos meses, continuo a não me identificar minimamente com Macau.

Tudo me parece estranho, incluindo pessoas e os seus comportamentos

Veremos como será o futuro aqui por estas bandas…


Para quê renovar o lugar no Dragão? Para ver Pinto da Costa a marcar golos de trivela?

1. Parece que um grupo muito especial de adeptos portistas fez uma espera aos jogadores, após a derrota com o Leixões, e, entre outros desacatos, atacou o carro de Cristian Rodriguez, numa triste repetição do episódio sucedido há anos com Co Adriaanse. Não vale a pena tecer grandes considerações sobre o assunto, porque ele é pacífico: este é o futebol que vamos tendo, aqui e lá fora, e é por isso que há cada vez menos gente decente a frequentar o futebol. Diga-se, porém, e em abono da verdade, que as claques organizadas não são apenas um cancro do futebol, mas o reflexo de uma sociedade sem valores. A «coragem cívica» das multidões organizadas em gangues de intervenção é o contraponto exacto da falta de coragem individual. Sozinhos, os portugueses não se atrevem a nada; em bando, atrevem-se a tudo.

Uma das demonstrações da falta de coragem individual é a renúncia à capacidade crítica contra os poderes instalados. A multidão do Dragão, justamente irritada com o que vai vendo, é capaz de fazer esperas aos jogadores, assobiar a equipa e acenar com lenços brancos contra o treinador. Mas ninguém, individualmente, se atreve a levantar a voz e assinar por baixo uma crítica aos verdadeiros responsáveis: a administração do clube, que, ano após ano, vende os melhores para comprar camionetas de jogadores de terceira categoria, com isso destroçando a equipa, arruinando o clube e prestando um péssimo serviço ao futebol português — que exporta para a Roménia, Chipre ou equipas nacionais sem projecção, os jovens valores formados nas escolas, em benefício de sul-americanos de ocasião, que proporcionam negócios rentáveis a quem não devia.

Quando uma simpática e persuasiva funcionária do FC Porto me telefonou em Agosto, lembrando que eu ainda não havia renovado o meu dragon seat, eu respondi-lhe, meio a sério, meio a brincar, que, constatando o esforço titânico que a administração estava a fazer para vender o Quaresma a qualquer preço (como viria a suceder), eu perguntava-me para quê renovar o lugar no Dragão: para ver Adelino Caldeira a fazer cruzamentos de letra ou Pinto da Costa a marcar golos de trivela?

A razão pela qual o FC Porto desta época é o que está à vista é simples, tremendamente simples: porque, como aqui o escrevi há semanas para grande escândalo de outros observadores para quem há gente e coisas intocáveis, é que este FC Porto é a pior equipa da década, pelo menos. A geração que ganhou a Liga dos Campeões em 2004, foi destroçada, e, da que se lhe seguiu, já só restam Lucho e Lisandro. Mas Lucho, que havia começado a época em grande, entrou em crise psicológica e não tem quem pegue na equipa em vez dele, e Lisandro está em guerra surda com a SAD — que é capaz de pagar 200.000 euros por mês ao Cristian Rodriguez (apenas 50.000 a menos do que Quaresma foi ganhar para o Inter), é capaz de pagar alguns 50.000 a jogadores que nem na Segunda B teriam lugar, é capaz de pagar uns trinta ordenados a jogadores para brilharem noutros clubes, mas não tem dinheiro para pagar ao Lisandro o que ele acha que merece. Talvez o Lisandro esteja a exagerar, mas quando os maus exemplos vêm de cima, porque não aproveitar, quando se é um dos raros ali que fazem a diferença?

É fácil, facilíssimo, atirar as culpas para cima do treinador: é sempre assim, quando não se sabe gerir. Eu acho que Jesualdo tem feito o melhor que pode, com equipas que, de ano para ano, são cada vez piores. E, como já aqui o disse, tirando erros pontuais às vezes incompreensíveis — como a insistência no Mariano González ou essa fatal tendência dos treinadores portugueses para mudarem a equipa toda e renunciarem ao ataque, de cada vez que têm um jogo difícil pela frente — Jesualdo só pode, eventualmente, ser culpabilizado por ter sido cúmplice ou testemunha silenciosa dos negócios que desmantelaram a equipa e a puseram a falar castelhano e a jogar um futebol que depende da inspiração de não mais do que dois ou três jogadores.

À vista de todos, a este FC Porto falta, para começar, um guarda-redes a sério e é incrível que não o tenha. Todas as equipas que conheço devem vitórias e resultados aos guarda-redes: não me lembro, desde que Adriaanse reformou Baía, de um só jogo em que se possa dizer que o FC Porto ficou a dever o resultado ao guarda-redes. Depois, falta-lhe um lateral-esquerdo de categoria internacional, até para libertar o Fucile para a direita, onde ele é bem melhor do que Sapunaru. E mais uma vez é incrível como é que, tendo comprado 13 (!) defesas-esquerdos nos últimos dez anos, não se comprou um único que desse garantias. Falta-lhe, a seguir, pelo menos dois grandes médios de ataque, que libertem o Raul Meireles para o lugar de trinco (onde, entre os cinco vindos este ano, não há um só que preste!) e libertar o Lucho (enquanto lá está…) do peso de ter de carregar em exclusivo a equipa para a frente. E falta-lhe, para terminar, dois extremos a sério, pois que só tem um e Jesualdo nem sequer gosta de apostar nele: o Candeias. Borda fora foram, além do Quaresma, o Pittbull, o Vieirinha, o Alan, o Hélder Barbosa, o Diogo Valente. É preciso ir às compras em Dezembro, mas calma: não vale a pena ir já a correr reservar um charter para a América do Sul. Há muita gente aí, emprestada, que deve ser mandada voltar para casa e, embora eu duvide, se possível, trocada por uma dúzia de inutilidades que por lá andam.

Com esta equipa, não vale a pena alimentar ilusões nem agitar lenços brancos. Não vale a pena caírem em cima do treinador, porque nem Mourinho conseguia fazer daquilo uma equipa a nível europeu. E, depois, também manda a verdade que se diga, que Jesualdo não tem tido sorte. O Dynamo de Kiev não fez nada para merecer ganhar no Dragão: fez tanto como o Sporting fez para merecer ganhar em Donestk. Com a mesma sorte do Sporting (aquele remate de Lucho ao poste, por exemplo), o FC Porto teria ganho ao Dynamo e com justiça. E com a sorte que o Benfica teve contra a Naval, teria ganho, ou pelo menos empatado, com o Leixões e não se estaria agora a falar em crise. Mas as coisas são o que são e estamos todos habituados a ver o FC Porto a superar erros de arbitragem e bolas ao poste. Foi o que fizemos em Alvalade, contra o Sporting e contra Lucílio Baptista e aí escreveu-se que estava de volta o FC Porto dos últimos anos. Não estava e logo se viu. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. A fórmula actual é simples: em dia de inspiração de Lucho e Lisandro, o FC Porto ganha; em dia de desinspiração deles, não ganha, porque não há ali ninguém mais que tenha categoria para desequilibrar um jogo.

2. No momento em que escrevo, não sei o desfecho do Braga-Estrela da Amadora, mas, ao ler que Jorge Jesus afirmou que este jogo era mais difícil do que o confronto com o Portsmouth, dá-me ideia de que estava já a preparar os adeptos para um fracasso e a desresponsabilizar os seus jogadores, por antecipação. Ele lá sabe, melhor do que ninguém, o que a equipa pode ou não dar. Agora, há uma coisa que, francamente, já enerva como desculpa: que é a do cansaço do jogo europeu a meio da semana (ainda para mais, jogado em casa e sem necessidade de viagens). Nunca percebi porque razão as equipas ditas pequenas se batem tanto por um lugar europeu, quando depois, na época seguinte, vivem a queixar-se do cansaço dos jogos europeus a meio da semana. E também nunca percebi porque é que o cansaço há-de atacar mais os pequenos do que os grandes: alguém se lembrou de justificar as más exibições de FC Porto, Sporting e Benfica, nesta jornada, com o cansaço do jogo europeu?

Miguel Sousa Tavares in a Bola. Retirado do BiboPortoCarago


Uma das coisas que sempre me fez impressão em Portugal foi o facto de se insistir em tratar as pessoas por “Doutor X ” , num sinal de claro provincianismo e parolismo. Pois bem, aqui em Macau, esse fenómeno é exponenciado ao máximo pela reduzida dimensão do território.

É Doutor para aqui, Doutor para acolá. Meus amigos, que eu saiba, Doutores são os médicos ou quem realiza um doutoramento!


Salgueiros em crescendo

O Salgueiros parece estar cada vez mais adaptado a esta nova realidade da II Distrital e somou a terceira vitória consecutiva, desta feita com uma goleada de 4-1 sobre o Lusitano de Santa Cruz. Os golos foram marcados por Passos,Fernando Almeida,Monteiro e Heitor. O futuro parece risonho e esperemos que dê para lutar pela subida de divisão.

Desastre no Dragão

O Leixões venceu no Dragão por 3-2 semando o desnorte nas hostes portistas,onde Jesualdo é cada vez mais contestado embora como venho afirmando a SAD tenha igulamente uma grande quota parte de responsabilidade no momento actual. Lisandro sempre ele,inventou um belo golo,mas não foi suficiente para um Leixões que jogou desfalcado de Wesley.

O Benfica aproveitou este desaire e venceu de forma sofrida a Naval passando para a frente dos portistas por um ponto. Leixões e Nacional comandam a classificação com 13 pontos

Reds quebram recorde de invencibilidade

4 anos e 8 meses depois, o Chelsea voltou a perder em casa num clássico morno em que um remate feliz de Xabi Alonso decidiu a partida diante de uns Blues desinspirados. Os comandados de Rafa Benitez prometem este ano lutar pelo título até ao fim.


“Marx postulou que o capital multiplicado por processos financeiros em mais capital, sem uma passagem que seja pela sua conversão em bens produtivos, acaba por desaparecer.

Tenho questionado muitas personalidades da nossa vida pública sobre a forma como a crise nos vai afectar. Ninguém consegue ser concreto. Nos Estados Unidos foi tudo claro e brutal. Onde em Portugal há promessas de Fundos Imobiliários de contorno obscuro, na América, os endividados com compras de casa viram os bancos a tomar conta dos activos dados como garantia. Na maior parte dos casos, as próprias propriedades sobreavaliadas. Agora há notícia de que o Capitalismo volta a funcionar com o mercado imobiliário ressuscitado devido às vendas de propriedades retomadas pelas empresas financeiras que querem liquidez. As famílias que tinham alguma poupança real estão a adquirir a massa falida de outras famílias, colocada no mercado pelos bancos a preços mais realistas. A América é um Continente. Há centenas de milhões de famílias. A desgraça individual consegue ser absorvida pelas colossais dimensões da sociedade e nota-se pouco. Como se perdedores e destituídos se dissolvessem na paisagem. Nestes meses de crise bairros inteiros ficaram despovoados porque os Jones tiveram que emigrar para a Florida ou Califórnia em busca de terreno mais fértil na esperança de que com uma ou duas colheitas pudessem regressar à promessa de prosperidade. John Steinbeck contou tudo isso nas Vinhas da Ira, onde nos faz viajar com uma família desalojada, os Joads, por um subprime qualquer durante a grande depressão de há meio século. Nos dias que correm a história é a mesma. Os Joads são os Jones de hoje. Vão-se embora.

Deixam atrás de si campos de mártires urbanos do crédito mal parado em que as lápides são letreiros a dizer – Vende-se. (Curioso: as empresas imobiliárias aqui e lá são as mesmas). Mal o carro da família atulhado com o espólio não hipotecado desaparece na estrada rumo a mais uma tentativa do sonho americano, o bairro falido começa a ser recolonizado pelos Smith, que como na historia da formiga e da cigarra, algures nas suas vidas, pouparam mais e gastaram menos e saem da crise com uma casa melhor. À vista, vai tudo continuar na mesma. De facto pelo que leio já está tudo a ficar na mesma. As referências iconograficas do subúrbio americano retomam os elementos habituais. Crianças, cães, relvas aparadas com jardins que transitam de uns para os outros sem barreiras visíveis mas hermeticamente separados por obstáculos de convenções, dogmas financeiros, religiosos ou étnicos que são bem mais impenetráveis que muros. O parque temático do bem-estar aparentemente contínuo, recompõe-se.

Está a haver no mercado imobiliário americano, dizem os técnicos, uma correcção. Os preços desceram porque os Jones ou os Joads estão na estrada colocados à força no Quadro de Mobilidade Especial dos crédulos e desprovidos. Qual é o seu destino? Não interessa, o mercado está corrigido. Na Sic Notícias, Odete Santos lembrou que Marx postulou que o capital multiplicado por processos financeiros em mais capital, sem uma passagem que seja pela sua conversão em bens produtivos, acaba por desaparecer, esfumando-se em inflação. Este processo, feito à escala planetária em operações vazias de conteúdo real, está a fazer uma reedição das Vinhas da Ira traduzida em muitas línguas. Creio que, brevemente, será lançada em português.”

Mário Crespo in JN


Belíssimo tema dos Snow Patrol,”Chasing Cars”, também conhecido por constar da banda sonora de “Anatomia de Grey”

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