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Aceitam-se apostas sobre quando a União Europeia e o FMI terão de intervir para salvar a economia portuguesa…

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Impossível ficar indiferente a este texto de Pedro Ribeiro no Dias úteis

O dia em que aprendi o que é estar morto

“Hoje, estive morto. Senti que toda a vida se escapava pelo ar que, aflito e a custo, respirava, enquanto as lágrimas eram gritadas, louco no carro, os olhos à procura, à procura, à procura.

Morri, ali.

A minha filha deveria sair da Escola de Santo António, na Parede, apanhar uma carrinha do ATL e eu ia buscá-la.

O que é que aconteceu? O cartão da escola, que supostamente controla as entradas e saídas dos alunos, valeu zero. Ela saiu, porque viu uma carrinha de ATL e entrou. Era o ATL errado. Ninguém lhe perguntou o nome, não houve uma chamada, nada. Ela entrou com uma colega e só após duas horas de aflição indizível, comigo à procura dela por todo o lado, é que o telefone tocou. De um “After School“, a perguntar se eu era o pai de uma Mafalda Ribeiro, que eles tinham, aflita, a pedir para ligarem ao pai. Aliás foi ela que falou: “papá?”

Durante duas horas, morri. Percorri ruas de possíveis percursos, olhei para todas as sombras, parques infantis, supermercados, escola antiga, liguei para os pais de colegas dela, todos os absurdos e horrores passaram pela minha cabeça, chamei o seu nome, entre choro, em ruas e em todos os recantos da escola. Nada. Evaporou-se. Horrível. Uma tristeza, uma aflição, um horror que nunca mais vou esquecer. E quando o telefone tocou e era ela, aquela voz doce da minha princesa, minha vida, meu ar, meu sopro de vida, eu soube o que era renascer. E desfiz-me em lágrimas de novo, e dali até ao tal After School, que teve a minha filha à sua guarda por engano, até ela pedir para ligarem ao pai, levei um segundo e levei toda a vida. Obrigado meu Deus, obrigado! Estacionei às tês pancadas, voei em passo trocado de nervos, pela rua fora, Mafaldinha, Mafaldinha, Mafaldinha, cego de amor aflito, só há descanso e vida quando a abraçar e estiver tudo bem.

Quando a abracei, e ela, agarrada a mim, me disse, apenas: “Olá Papá” eu soube que tinha renascido. E ela também, coitadinha.

Como cartão de visita da nova escola, estou esclarecido. Tantas referências boas e afinal é isto: no primeiro dia, por maioria de razão, deveria existir um ainda mais rigoroso controlo de entradas e saídas, mas quando cheguei o portão estava escancarado, como deveria estar quando a Mafalda viu uma carrinha do ATL a chegar, estava na hora e ela saiu da escola e entrou na carrinha. Ninguém perguntou nada, ninguém fez nada.

E um ATL mete um grupo de crianças numa carrinha, não pergunta nomes, não verifica nada e só ao fim de duas horas é que, perante a aflição de uma criança de 10 anos a pedir para ligarem ao pai é que se acaba com este horror?

Quando penso na forma como desaparecem crianças, para sempre, todos os dias, penso que esses pais e filhos terão sentido isto, e muitos, mesmo sobrevivendo, morreram para sempre.

Eu tive a sorte de poder renascer.

E sei que, a partir de hoje, ganhei uma nova causa: fazer tudo o que estiver ao meu alcance para contribuir para uma Escola responsável, atenta, segura, onde os nossos filhos aprendem e podemos, enquanto pais, estar descansados.

Quando depois desta tarde de horror, fui buscar o pequeno Gonçalo ao colégio e ele me disse, comprometido, “Papá, parti os óculos a jogar à bola” eu disse para mim: que importância é que isso tem? Nenhuma, realmente, não tem nenhuma importância.

Não podia dizer-lhe que o pai hoje tinha aprendido o que é morrer, e tinha tido a bênção de poder nascer de novo.”


Seria interessante alguém perguntar ao padre timorense, Domingos Soares, agora estabelecido em Macau, o que tem ele a dizer sobre o sequestro de dois jovens portugueses em Dili numa noite de Abril de 2005.


Tinha a ideia que a população de Hong Kong era gente civilizada mas começo a duvidar seriamente disso depois de ler na Internet tantos ataques racistas contra filipinos a propósito da tragédia de segunda feira.

Como se toda uma população devesse pagar por um acto tresloucado e uma desastrada operação policial.


Para o comum dos mortais, os trágicos acontecimentos de ontem em Manila revelaram um amadorismo terrível das autoridades policiais filipinas.

A imagem que passou para o exterior foi muito má e o desfecho acabou por ser a tragédia conhecida.

Ao nível por exemplo do sucedido no teatro de Beslan ou em Waco no Texas.


Depois do anúncio do fim da pandemia da hiper mega terrível Gripe A, começam a surgir notícias sobre uma super-bactéria. Vai uma aposta que lá para o Inverno não se irá  falar noutra coisa?


“Condenar défices e recusar a ajuda a uma economia que ainda se debate tornou-se na nova moda em todo o lado. Muitos economistas, eu incluído, vêem esta viragem para a austeridade como um grande erro. Apesar destes avisos, os falcões do défice prevalecem na maior parte dos sítios – principalmente aqui, onde o governo quer poupar 80 mil milhões de euros, quase 100 mil milhões de dólares, com o aumento de impostos e cortes orçamentais, apesar da economia continuar a funcionar muito abaixo da sua capacidade.

Que lógica económica existe por trás das medidas do governo? A resposta, pelo que me é dado ver, é que não existe alguma. Pressione-se os responsáveis alemães a explicar porque necessitam de impor medidas de austeridade numa economia em depressão e obtém-se argumentos que não fazem sentido. Chame-se a atenção para isso e eles vêm com argumentos diferentes, que também não fazem sentido. Discutir com os falcões do défice alemães é muito parecido com discutir com os falcões americanos em relação ao Iraque em 2002: eles sabem o que querem fazer, e sempre que refutamos um argumento, eles vêm com outro.

Eis como se passa a conversa típica:
Falcão alemão: “Temos de cortar o défice imediatamente, porque temos de lidar com o fardo fiscal de uma população envelhecida.”
Americano chato: “Mas isso não faz sentido. Mesmo que consigam poupar 80 mil milhões de euros – o que não acontecerá porque os cortes orçamentais irão prejudicar a vossa economia e reduzir as receitas – o pagamento de juros sobre tal dívida será menos de um décimo de um por cento do vosso PIB. Assim, a austeridade que querem impor ameaçará a recuperação económica enquanto fará quase nada para melhorar a vossa situação orçamental a longo prazo.”
Falcão alemão: “Não vou discutir aritmética. Devemos ter em conta a reacção do mercado.”
Americano chato: Mas como é que sabe como irá reagir o mercado? E, seja como for, porque motivo deve o mercado ser conduzido por políticas que não têm praticamente impacto na situação fiscal a longo prazo?
Falcão alemão: “Você não percebe mesmo a nossa situação.”

O ponto chave é que embora os defensores da austeridade se apresentem como realistas práticos, que fazem o que é preciso fazer, eles não conseguem justificar, e não o farão, a sua posição com números reais – porque os números não apoiam, de facto, a sua posição. Nem sequer são capazes de argumentar que os mercados estão a pedir austeridade. Pelo contrario, o governo alemão permanece capaz de contrair empréstimos a taxas de juro muito baixas.

Pelo que as verdadeiras motivações para a sua obsessão com austeridade residem noutro lugar.

Na América, muitos auto-proclamados falcões do défice são pura e simplesmente hipócritas. Estão ávidos para cortar benefícios àqueles que mais necessitam mas a sua preocupação acerca do défice desaparece quando se trata de reduzir os impostos dos mais ricos. Deste modo, o senador Ben Nelson, que declarou hipocritamente que não nos podemos permitir dar 77 mil milhões de dólares em apoio aos desempregados, foi instrumental na aprovação do primeiro corte fiscal de Bush, que nos custou 1,3 biliões de dólares.

Os falcões do défice alemães parecem ser mais sinceros. Mas nada têm a ver com realismo fiscal. Em vez disso, é mais sobre moralização e pose. Os alemães tendem a pensar nos défices correntes como sendo moralmente errados, enquanto os orçamentos equilibrados são considerados moralmente correctos, independentemente das circunstâncias ou da lógica económica. A austeridade alemã irá piorar a crise na zona euro, tornando mais difícil a recuperação da Espanha e de outras economias em apuros. Os problemas da Europa estão também a conduzir ao enfraquecimento do euro, o que, perversamente, ajudará a indústria alemã mas que também exportará as consequências da austeridade alemã para o resto do mundo, Estados Unidos incluídos.E as hipóteses de uma recessão prolongada aumentam todos os dias.”

Paul Krugman no i

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