A TDM acaba de noticiar o fim da Viva Macau. Ainda sem conhecer grandes pormenores, não fico nada admirado com o sucedido, pois ainda recentemente foi noticiado que a companhia aérea acumulava prejuízos diários de um milhão de patacas.

Não há milagres e nenhuma empresa consegue subsistir com prejuízos de tão elevado valor.

O panorama da aviação em Macau fica ainda mais negro.


Harmonia Social, diversificação económica, indústrias criativas, redução da mão de obra não residente, cheques para a malta, blá blá… Ou seja, vira o disco e toca o mesmo.

Para informação completa ler aqui


Veremos se este ditado popular se aplica quando o mítico Jean Claude Van Damme (quem não se lembra de Blood Sport?) defrontar em Macau o campeão tailandês Somluck Kamsing num combate de kickboxing.

Provavelmente, Van Damme perto de completar 50 anos, estará aflito de finanças,daí este regresso às lides desportivas


“Revisões da matéria dada. Há exactamente um mês, a RAEM cumpriu dez anos e os balanços da década foram, com pontuais excepções, de um optimismo pomposo.
Como se tivéssemos vivido no melhor dos mundos possíveis, responsáveis políticos e certa imprensa disseram de bem o que, a contrario, de mal Maomé não disse do toucinho. Os franceses chamam a isto “langue de bois” – uma forma de expressão que pretende dissimular uma incompetência, ou uma reticência, em abordar certas matérias disfarçada com a proclamação de banalidades, ou abstracções, que apelam mais ao sentimento e à emoção fácil do que aos factos. “Langue de bois”, o que mais se ouve em todo o lado e a toda a hora.
Por exemplo, os democratas. Nos últimos meses do mandato de Edmund Ho não desperdiçaram nenhuma oportunidade para encomendar a alma do Chefe do Executivo por falhar as promessas, adiar as consultas, escapar à reforma do sistema político. Em suma, por iludir a população. Mas agora que na região vizinha os seus aliados ameaçam avançar com um expediente para, pelo menos, forçar uma clarificação sobre as verdadeiras intenções de Pequim sobre a abertura política na RAEHK, é que em Macau, o gradualismo começa a contaminar o campo pró-democrata. Gradualismo que não significa mais do que adiar esta reforma, o mais possível. Adiar tanto que, agora, a dez ou mais anos de distância, a mera referência ao assunto não se torna só caricata, é decorativa.
Esta suposta moderação, descobrimos agora, gerou um efeito de osmose. Entre os chamados independentes, que parecem despertar da letargia pós-eleitoral, uns mais do que outros, é verdade, a ideologia do gradualismo também produziu discurso!
Com tamanha dose de cautelas e caldos de galinha, é irresistível pensar se esta não será uma simples artimanha para neutralizar qualquer veleidade de mudança e para que, sob a aparência reformista, tudo permaneça instalado no mesmo inabalável e confortável statu quo.
Outro exemplo: observem o que director do Centro de Investigação do Princípio “Um pais, dois sistemas” reiterou, pela enésima vez, esta semana, num seminário onde estavam presentes altos funcionários da Administração Pública: “Francamente”, há cada vez mais espaço para uma alteração da Lei Básica; é fundamental alterar alguns aspectos do texto para acompanhar a evolução da sociedade e servir melhor o os dois sistemas. Mas, a seguir, Ieong Wan Chong apressou a notar que é preciso sermos sérios, e pragmáticos, e que são dispensáveis ajustamentos desadequados que possam perturbar o curso das coisas. Tal como aquele personagem do romance de Melville, “Bartleby, O Escrivão”, também Ieong, no fundo, “preferia não o fazer”.
Leonel Alves também não. Há cerca de quinze dias, o deputado esteve na Rádio Macau a lamentar a falta de renovação de quadros e, a médio prazo, o desaparecimento da vida pública daqueles políticos mais qualificados, e com vivência do que é o verdadeiro e autêntico segundo sistema, como Susana Chou, Edmund Ho, Chui Sai On, Florinda Chan, ou, presume-se, ele próprio. Mas, no entanto, eleições directas, nesta próxima década, são impensáveis. Ainda é cedo, disse o tribuno, arregimentando uma série de razões, mais ou menos incompreensíveis, mais ou menos falaciosas, que radicam, afinal de contas, no mesmo axioma de cartilha: a falta de preparação da população. Até quando se vai argumentar com a falta de preparação da população para tudo e o mais, é qualquer coisa que me escapa, mas suspeito bem que, pela década fora, a população há-de continuar a estar mal preparada e a funcionar como álibi quase-perfeito para esta simpática endogamia.
Nem sou eu que o digo. Basta citar o insuspeito, e inesperado, relatório que o Centro de Pesquisa Estratégica para o Desenvolvimento de Macau tornou público, na passada sexta-feira, e que demos conta no Hoje Macau. Quem se der ao trabalho de o ler encontrará ali uma rara eloquência. A colecção de vícios que, em cínica promiscuidade, coexistem com duvidosas práticas das elites dominantes, desde a classe política, ao funcionalismo e ao associativismo, só torna visível, de dentro, um regime de administração e de governação, no mínimo, esclerosado. Devo dizer que o grau de denúncia patente no relatório me surpreendeu. Duvido que, há um par de anos, um documento destes pudesse ter sido publicado nestes termos – no timing, na crítica e no tom. Simplesmente, não seria possível. E, no entanto, alguma coisa se moveu. Mais tarde ou mais cedo, alguém haveria de perceber que este estado de coisas seria insustentável por muito mais tempo e, logo, incompatível com qualquer gradualismo ou apêndices retóricos do género. Para mim, a questão da democracia, seja o que se queira entender com esta democracia, ainda é uma nebulosa. Importa-me menos a macro-política do que a micro-política, as práticas quotidianas entre os indivíduos, vizinhos, amigos, no local de trabalho, as pequenas relações de poder do dia-a-dia. Mais do que o momento ritualizado do voto, o que mais se torna urgente e relevante é avaliar até que ponto esta pequena corrupção não sustenta aquela outra corrupção maior: o feudalismo, o elitismo, a exclusão, o medo de discordar, o oportunismo, a cultura do dinheiro fácil, a “minoria oportunista e gananciosa”, de que o relatório também fala, e que diminui valores como a honra, a palavra dada, a honestidade necessários a qualquer cultura cívica que se preze.
O problema é que, verdadeiramente, ninguém está disposto a ceder a sua pequena migalha de poder e de estatuto. O problema é que em vez de funcionários e dirigentes de honra domina a cultura do chico-espertismo, do está-secagandismo, do venha a nós o vosso reino! O ponto está todo aqui. Este foi o preço social e cultural a pagar por estes dez anos de desenvolvimento furioso e de sucesso. Eis o preço de Fausto. O que ganhámos na carteira perdemos na cultura e na sociabilidade. Bem pode o estudo de Leong Vai Tac (eis um indivíduo a seguir com atenção, e existem outros) falar do decréscimo da qualidade cívica das jovens gerações. Pudera! Com outros dez anos assim só os mais fortes sobreviverão. Como na selva. Não é isto que queremos. “

Editorial de Carlos Picassinos no Hoje Macau que a avaliar por isto incomodou o director de um jornal concorrente . Nada que me espante muito


Pelos relatos que vão surgindo na imprensa o fim da exibição do espectáculo Zaia no Venetian estará para breve, pois a adesão do público não tem sido famosa.

Está é mais uma prova de que as gentes locais e os turistas que nos visitam apenas procuram o jogo sendo tudo o resto completamente redudante, tornando a famigerada diversificação económica uma verdadeira treta


Como não estive cá nos tempos da administração portuguesa pouco posso escrever sobre o que significa o décimo aniversário da RAEM mas deixo algumas notas.

– Estes dias têm sido marcados nos meios de comunicação social por um exacerbado culto da personalidade que chega a ser doentio.

– Assisti à passagem da manifestação do Novo Macau Democrático e a olho nu pareceu-me ter uma boa moldura humana.

– Espectáculo de fogo de artifício brutal para encerrar em beleza as comemorações dos 10 anos da RAEM


No seu último relatório, o Comissariado de Auditoria arrasou a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude pelo descontrolo orçamental nas obras de remodelação das suas instalações.

Entre diversos actos duvidosos, foram adquiridos 28 suportes de papel higiénico por 3.159 patacas cada e 36 cadeiras para a sala de computadores por 4600 patacas cada.

Eis um bom exemplo de como nesta terra os lucros avultados dos casinos vão abafando o desperdício e a má utilização de dinheiros públicos que chega a ser escandalosa.

Como não poderia deixar de ser, na imprensa de hoje aparecem pessoas a criticar de forma subliminar a actuação do Comissariado, sempre desejosas de agradar ao poder instalado e aos seus subsídios.


É inaugurado hoje o “Oceanus”, 34º casino do território, cujo design faz lembrar o cubo aquático dos Jogos Olímpícos de Pequim.

Situado perto do Terminal  Marítimo do Porto Exterior, destina-se essencialmente aos jogadores puros e duros, que vêm a Macau jogar por algumas horas e depois regressam às suas terras.

E assim se continua a promover a  diversificação da economia…


Se na semana passada relatava a chatice do modo chato que é viver em Macau, desta vez espero ser um pouco mais comedido no aborrecimento e regozijar-me com a visita de Hu Jintao ao território.
Esta visita, ao que penso, é uma forma de reconhecimento e prémio pelo esforço das autoridades da RAEM em manter o segundo sistema, o tal que se diferencia em todo do primeiro sistema.
Não entro em demasiados pormenores sobre sistemas pela razão simples de que estes fazem-me lembrar as acusações no futebol nacional, isto porque, como sabemos, cada equipa tem o seu sistema de jogar a que os orientadores técnicos, neste caso específico, chamam táctica. Porém, é habitual quando as coisas não correm muito bem nestas formações os dirigentes responsáveis virem com acusações motivadas pelo sistema.
Sistemas à parte, e sem querer discutir quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha, a visita deste nobre líder da RPC a Macau tem a finalidade de vir juntar-se à população para comemorar os dez anos do aniversário da fundação da RAEM.
Na minha perspectiva esta visita nada tem de anormal, se veio festejar a passagem do aniversário dos cinco anos, era óbvio que o faria no décimo aniversário desta ocorrência.
O meu regozijo, porém, vai muito para além da visita e do significado que lhe possam dar, e está relacionado com as melhorias significativas registadas nas vias públicas, que ao fim de tanto tempo tiveram a atenção merecida das autoridades.
Assim, por exemplo, ruas esburacadas há muitos anos foram alvo de repavimentação, alguns passeios públicos (suponho tratar-se de troços por onde o ilustre visitante vai passar) tiveram honras de arranjo e embelezamento, e começa-se a sentir algum cuidado em separar os espaços definidos para os peões do restante trânsito automóvel.
O caso mais evidente destes cuidados prende-se com a pintura, novinha em folha, da ponte do oeste e que mais uma vez denuncia o percurso de Hu Jintao. A propósito destas evidências, não sei se os serviços secretos dão conta da exposição clara a que este alto funcionário da RPC está patente e se têm consciência do perigo que representa esta forma de maquilhar tudo o que tem a ver com o seu itinerário.
Longe de mim pensar que haja alguém neste território com intenções maléficas e com o propósito de o incomodar, a ele ou à comitiva, nada disso. Apenas recordo que se todas as ruas, estradas, passeios, jardins, pontes e fachadas de todos os prédios sofressem esta operação de cosmética, faria com que o povo saísse à rua e ocupasse todas as praças e jardins com a esperança de que poderiam abraçar o grande líder da Pátria chinesa.
A meu ver, este gesto de banho de multidão seria bom para Macau e para a China e aumentaria a confiança e harmonia entre os dois sistemas.
Ao mesmo tempo, seria mais um passo importante para estimular as relações da China com os países que se exprimem na língua da fadista Ana Moura, isto porque, seria natural que, espontaneamente, as muitas organizações de cariz lusófono se quisessem associar em forma de manifestação à visita de tão ilustre personagem.
Pessoalmente, e se a segurança o permitir, nesse dia lá estarei vestido a rigor, com uma camisola da selecção das quinas que o Eusébio me ofereceu depois daquele campeonato de 66 em que ficámos no terceiro lugar.

Nota: se não me virem com a camisola do número 10, é porque não me deixaram entrar.”

Pinto Fernandes in Hoje Macau, cuja crónica semanal nunca deixo de ler


O Jornal Tribuna tem todas as sextas feiras uma interessante rubrica com diversas personalidades que passaram por Macau e que já deixaram o território.

Todas elas para além da habitual referência à agua do Lilau, falam de uma cidade tranquila e acolhedora que gostava muito de ter conhecido.

Além disso, manifestam a ideia que em Portugal se fala muito pouco de Macau e que isso as impede de ir acompanhando a sua evolução.

A mim parecem-me queixas um pouco absurdas, pois hoje em dia, é muito fácil de recorrer à Internet para ler as notícias sobre Macau, seja nos jornais,  TDM ou na blogosfera.

Eu se estou muito interessado em algo não fico à espera que as coisas caiam do céu.