“Um propôs a lei, o outro vetou – essa é que é essa. Poderíamos discutir a tal lei. Ela dá garantias mínimas (tímidas, até) a pessoas que estando “juntas de facto”, isto é, “sem papel”, podem vir a encontrar-se em situação dramática se alguma coisa der para o torto? Ela é demasiado moderna e precisa de mais ampla discussão? Ela separa as águas da sociedade portuguesa: os conservadores e os progressistas? Ela separa é outras águas: os pelo bedelho do Estado e os que são pelas escolhas do indivíduo?… Podia discutir-se tudo, se o Outono não estivesse tão próximo. Mas, estando, fiquemo-nos pelo essencial: um propôs a lei, o outro vetou. Então, já estamos a ver o filme: “PR contra PM – O Duelo”, em todas as assembleias de voto perto de si. E por assembleia de voto entenda-se o nosso dia-a-dia até às legislativas. É ténis e nem é aos pares. Um contra um. Ora bola, Sócrates. Ora bola, Cavaco. Ontem, voltou a bolar Cavaco: não vetou a lei do sigilo bancário, que tinha sido aprovada com o não do PSD. Mas isso não está em contradição com o que é dito atrás? Não, isso confirma que Cavaco Silva é que vai a votos a 27 de Setembro. E sabe-o.”

Ferreira Fernandes no DN

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