“Se se quer de facto manter o segundo sistema há que não abdicar dos seus valores. O amor à Pátria não se pode substituir pela tentativa, quantas vezes atabalhoada, despoletada pelos próprios residentes locais chineses, à revelia do que pretende a própria China, para hipocritamente fazer passar a ideia de que por cá, as gentes desta terra são ainda mais papistas que o papa, ou seja, mais chineses do que os próprios chineses do continente.
Tudo para agradar.
Como se do outro lado fossem todos uma cambada de estúpidos.
Do outro lado, muita gente local parece esquecida, está uma “velha” elite política calejada a “cheirar” os desenvolvimentos da história e o papel dos seus actores.
Que hoje servem, mas amanhã já não, numa dialéctica interventiva infernal, que lança para o saco do lixo da história “players” de grande traquejo.
Não comanda o País (a Grande China) uma cambada de novatos e de naíves que não medem bem os seus passos.
Podemos não estar de acordo com as suas prioridades ou mesmo os seus valores, nomeadamente no que toca aos direitos humanos e aos nossos valores democráticos, mas a verdade é que são dirigentes de craveira internacional e com uma prática e pensamento político de elite.
Que virado para o crescimento e desenvolvimento económico acelerados dessa grande nação de 1,3 mil milhões de nacionais, não esquece contudo para onde se quer ir a longo prazo!
A China não quer esse desejo de liquidação acelerada do segundo sistema, nem o patriotismo vai por aí.
Portanto cuidado!
Cuidado com os que querem desenfreadamente mais negócios, ou mais poderes. Ou com os que temem, por ignorância, perder o pouco ou o muito que já têm ou que possam vir a ter.
É vê-los, então, em atitudes de total falta de coerência para com a lógica de funcionamento e de valores do segundo sistema.
Como se numa selva estivéssemos!
Eles, da China, esperam o melhor, mais visitantes, mais apoios, mas em contrapartida olham para o irmão do lado de forma muito pouco aceitável.
Quantas vezes os tratam como se de nacionais de segunda se tratassem.
Querem ser tratados como chineses para o bem (para o negócio, para o poder…) mas não para o mal.
Às vezes fico a pensar cá para os meus botões se não teria sido bem melhor que o primeiro sistema se tivesse instalado por estas bandas desde início, pela mão dos seus nacionais, naturalmente que são os únicos que não o desvirtuam.
É que, as atitudes de gentes, supostamente do segundo e para o segundo, copiando mal práticas do primeiro sistema, só contribuem para desacreditar a importância do segundo e liquidar a diferença. ”

Albano Martins no Tribuna de Macau

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