“O que está neste momento a acontecer em Macau não vem de agora. Tudo foi cuidadosamente planeado para esvaziar mais e mais o IPOR e o pormenor Livraria Portuguesa é a cereja no topo do bolo que os responsáveis há muito andam a comer.

O Estado português verga a espinha e o IPOR vai ficar reduzido a uma expressão mínima e poderá mesmo perder a sua razão de ser, na medida em que língua pode ser ensinada em qualquer escola. Tal como a Alliance Française ou o Goethe Institut, este tipo de instituição não existe nunca unicamente para ensinar a língua. Pelo contrário, a difusão cultural faz parte intrínseca das suas existências pois entende-se, logicamente, que uma língua não pode ser compreendida sem manifestações culturais que a balizem e a tornem atraente.


O que se vai passar, se bem consigo ler os novos estatutos do IPOR, é que em Macau não existirá nenhuma instituição do Estado português com a missão de divulgar cultura. Claro que Portugal é um país com dificuldades financeiras. Mas tal não serve de desculpa no caso vertente. A administração portuguesa de Macau teve oportunidade de aqui deixar instituições suficientemente “gordas” para que esta situação não ocorresse. Mas parece que tal não aconteceu. Afinal, onde está o dinheiro? Ninguém acredita que foi por dificuldades financeiras que o IPOR chega onde agora está.
Não. O plano era outro desde o princípio e nunca passou realmente por aqui deixar uma instituição que divulgasse língua e cultura. Não. O objectivo sempre foi outro. Vergonhoso. Recorrente.
A publicação em Boletim Oficial dos novos estatutos do IPOR constitui uma página negra na presença portuguesa em Macau. O que aqueles estatutos dizem para além das palavras que o compõem fará a delícia dos historiadores interessados em compor um ensaio sobre falta de patriotismo e corrupção.
O que está neste momento a acontecer em Macau não vem de agora. Tudo foi cuidadosamente planeado para esvaziar mais e mais o IPOR e o pormenor Livraria Portuguesa é a cereja no topo do bolo que os responsáveis há muito andam a comer. Brincam com a cultura portuguesa no Oriente como se ela lhes pertencesse, como se tivessem feito alguma coisa ou contribuído de alguma maneira para ela.
Resumindo: são uma boa cambada de canalhas, de gente menor, em tom e ritmo menor, homens sem brio, sem espinha vertebral e sem consciência de si ou da sua cultura.
A nossa frustração é que não podemos fazer nada. Eles protegem-se todos uns aos outros, os que comem da mesma gamela. A cultura portuguesa em Macau continuará, apesar deles, que até hoje só se orientaram a si próprios.
Mas chega desta palhaçada. O jogo é tão claro que não o denunciar é passar por estúpido. Os canalhas passarão impunes, mas não aqui. Aqui não passarão.”

Carlos Morais José – Hoje Macau de 29-05-2009

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