“Existe, com efeito, um tom geral que envolve a cidade, uma melodia monocórdica (lembram-se de “ao longe, um som incessante de flauta chora”) que cria um registo melancólico na paisagem, sentimento de impossível comunicabilidade. Solidão radical, mal-estar indefinido, exílio de qualquer lugar e de nós próprios. É nesta paisagem, em que as águas do rio se confundem com o céu e com os rostos das gentes, que se torna possível a emergência de um determinado estado de consciência que dilui os resíduos étnicos e se projecta, inevitável, para um estado de abstracção onde o pensamento serpenteia por formas, preterindo o recurso ao verbo. É de pesadelo, “Blade Runner”, odisseia sem histórias, só emoções que dispensam a narrativa.”

Excerto de texto de Carlos Morais José no Hoje Macau. O resto pode ser lido aqui

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