Em certas tardes de Inverno, sobretudo quando está sol, atrás do estirador de Maria José Fundevila pousa uma prancha de body board, discretamente encostada a uma das paredes da sala. Para esta arquitecta paisagista de 39 anos, o momento mais triste do ano é quando a hora muda. “Já não posso ir à praia no final do dia de trabalho”, diz desolada.

Por isso, sempre que pode, ela e Paula Alves, também paisagista na Divisão de Estudos e Projectos na Câmara de Lisboa, aproveitam a hora de almoço para atravessar a ponte sobre o Tejo e voar até à Costa da Caparica. “Sou especialista em vestir-me em parques de estacionamento. O pior mesmo é calçar umas meias de vidro com as pernas ainda molhadas do surf”, solta Paula numa gargalhada. Ao contrário de Maria José, que mora em Lisboa e só tem as horas de almoço e alguns fins-de-semana, Paula, 34 anos, vive na margem Sul. O dia pode começar com um passeio na crista das ondas, ainda antes de levar o filho ao infantário. “O único problema do surf é ser tão viciante que quando não o faço fico intolerante e irritada.

Muitas vezes, deixo de fazer uma data de coisas de que também gosto para ir surfar”, confessa. “Já imaginou, no Inverno, sair da cama muito cedo, cheia de frio para ir para o mar? Às vezes é um sacrifício. Mas quando lá chego e vejo a praia vazia e sem vento, entro na água, sozinha com a minha prancha, sinto uma paz absolutamente indescritível.”

Este é um excerto da reportagem publicada no Expresso sobre o “vício” do surf. O resto podem ler aqui

In Expresso

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